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Aos 80 anos, Lorena Steiner reúne 89 artistas em instalação coletiva na abertura do 4º FECIC

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Exposição “OLARIA — Matéria, memória e território em camadas de cor e tempo” inaugura no dia 11 de novembro, na Casa dos Rosas, apresentando a obra “O QUE NOS CONSTRÓI”

Celebrando 80 anos de vida e uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à arte, a artista visual canoense Lorena Steiner inaugura a exposição OLARIA — Matéria, memória e território em camadas de cor e tempo no próximo dia 11 de novembro, a partir das 18h, na Casa dos Rosas (Museu Municipal Parque dos Rosa), em Canoas. A exposição permanece para visitação gratuita até o dia 6 de janeiro de 2027.

Com curadoria de Flávio Gil e produção da MILO Arte e Cultura, a mostra integra a programação oficial da Solenidade de Abertura do 4º Festival de Cinema de Canoas (FECIC), que ocorre de 11 a 15 de novembro e contará com apresentação da Banda de Música da Base Aérea de Canoas (BACO) e coquetel.

A relação de Lorena Steiner com o FECIC já faz parte da identidade do evento: a artista plástica é a criadora do Troféu Canoeiros, honraria instituída na edição de 2024 do festival. A peça carrega o duplo significado de homenagear a cidade-sede e reverenciar o espírito comunitário e a bravura dos canoeiros voluntários que atuaram no resgate de moradores durante as enchentes que atingiram a região.

A obra coletiva: O QUE NOS CONSTRÓI

O ponto central da exposição é a instalação escultórica coletiva intitulada O QUE NOS CONSTRÓI, composta por 160 simulacros de tijolos. Desses, 89 receberam intervenções artísticas exclusivas de diferentes artistas convidados, enquanto os demais trazem a poética da própria anfitriã.

Estruturalmente, a instalação foi concebida como uma coluna de quatro faces, erguida em 15 fiadas — sendo seis tijolos por fiada dedicados às obras dos artistas convidados e oito fiadas compostas pelos tijolos de Lorena Steiner. Embora siga uma arquitetura planejada, a disposição final das peças ocorre de forma orgânica durante a montagem, guiada pelo diálogo visual entre cores, texturas e a singularidade de cada trabalho.

A presença do tijolo na produção de Lorena tem raiz em uma memória afetiva profunda: a convivência com seu pai, Florencio Steiner, que era mestre de obras e construtor de casas. Há mais de 25 anos, a artista desenvolve pesquisas utilizando terras de diferentes tonalidades recolhidas em canteiros de obras de Canoas, criando uma paleta própria de pigmentos naturais aplicada em pinturas, gravuras, objetos e instalações.

“Assim como os tijolos participam da construção de uma casa, cada pessoa contribui, com suas experiências e sua singularidade, para a construção de uma comunidade. O QUE NOS CONSTRÓI é um convite à reflexão sobre como somos constituídos pelas memórias, afetos e relações que estabelecemos com os outros”, destaca a artista.

Para reunir diferentes gerações, trajetórias e linguagens sem imposição de técnica ou padrão estético, a mobilização contou com a colaboração de sete articuladores convidados: Rosali Plentz, Márcia Rosa, Lúcia Guaspari, Rose Osório (Casa Amarela), Ana Zavadil, Suzana Gonzalez Campozani e o curador Flávio Gil.

Diálogo com o cinema e a celebração dos 80 anos

A inserção da mostra na abertura do 4º FECIC promove um encontro direto entre o audiovisual e as artes plásticas, duas linguagens conectadas pela preservação da memória e pela narrativa sensível. Esse elo também reflete o repertório pessoal da artista, que aponta o longa polonês Amor Esquecido (Znachor) como seu filme preferido recente — uma obra sobre laços familiares, reconstrução e a permanência dos afetos mesmo quando as lembranças se perdem.

Aos 80 anos, Lorena celebra a oportunidade de apresentar um projeto dessa magnitude na cidade que moldou sua trajetória artística desde a adolescência.

A seguir, confira entrevista com a artista sobre a integração com o festival e sua relação com a arte.

Qual o sentimento desta obra estar junto ao Festival de Cinema de Canoas?

Lorena: É uma grande alegria apresentar esta obra no Festival de Cinema de Canoas, especialmente por reunir tantos artistas em uma experiência de criação coletiva. O cinema e as artes visuais são linguagens que se aproximam pela capacidade de contar histórias, preservar memórias, despertar sentimentos e provocar reflexões. A presença da exposição OLARIA na programação do Festival proporciona um encontro entre diferentes expressões artísticas, ampliando o diálogo cultural e valorizando a produção artística da nossa cidade. Para mim, é especialmente significativo apresentar esta instalação em Canoas, cidade que faz parte da minha história e da minha trajetória artística. Participar deste Festival representa uma oportunidade de celebrar a arte, compartilhar experiências e fortalecer os vínculos entre artistas e comunidade.

Qual é seu filme preferido?

Lorena: Recentemente, assisti ao filme Amor Esquecido, uma produção polonesa que me emocionou muito. É uma história sensível sobre o amor, a memória, os laços familiares e a capacidade de reconstruir a própria vida. O que mais me tocou foi a maneira como o filme mostra que os sentimentos e os vínculos afetivos podem permanecer vivos, mesmo quando as lembranças se perdem. É um filme que nos faz refletir sobre a importância do amor, da família e das relações humanas.

Como a arte entrou na sua vida e o que representa para você?

Lorena: A arte entrou na minha vida ainda na adolescência, aos 16 anos, e, desde então, tornou-se uma parte fundamental da minha existência. Ao longo da minha trajetória, fui descobrindo diferentes possibilidades de expressão por meio da pintura, da gravura, dos objetos e das instalações, sempre procurando estabelecer relações entre os materiais, as experiências vividas e a memória. A pesquisa com terras e tijolos, por exemplo, nasceu de lembranças familiares e de minha observação sobre as transformações da cidade e os materiais presentes nas construções. Para mim, a arte é uma maneira de compreender o mundo, expressar sentimentos e estabelecer relações com as pessoas e com o tempo em que vivemos. Aos 80 anos, continuo encontrando na arte um espaço de liberdade, descoberta e renovação. A arte representa, para mim, uma forma de permanecer em movimento, de criar novos sentidos e de continuar dialogando com a vida.

Sobre a artista

Nascida em 1946, Lorena Steiner é graduada em Pedagogia pela Universidade La Salle (Canoas/RS), pós-graduada em Orientação Educacional pela FAPA e em Poéticas Visuais – Gravura, Fotografia e Imagem Digital pela Universidade Feevale (Novo Hamburgo/RS). É membro do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa e do Conselho Internacional de Dança (CID–UNESCO), tendo recebido a Menção Honrosa MASP – Placa de Prata pela representação do país no exterior.

Entre suas principais exposições individuais destacam-se Tijolos Sequenciais – Entre a Gravura e a Pintura: uma Poética com a Terra (2005, ULBRA Canoas), EX-PAÇO (2007, Paço Municipal de Porto Alegre), Fábrica de Gaiolas (2016, Vila Mimosa), Canoas de Lorena Steiner (2018, Casa dos Rosas), Terra, Cor e as Canoas de Lorena Steiner (2024, Vila Mimosa), Desalinho (2025, Atlântida), Enredo (2025, Gravura Galeria de Arte) e LABORAÇÃO (2026, Casa Amarela). Também integrou mostras coletivas de destaque no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, na 14ª Bienal do Mercosul (Portas para a Arte) e na Grécia (2023).

Artistas participantes da instalação O QUE NOS CONSTRÓI

Adriana Leiria, Alexandra Eckert, Ana Freitas da Silveira, Ana Lafourcade, Ângela Bolsson, Ângela Cavalli, Arlete Santarosa, Beatriz Balen Susin, Beatriz D’Ângelo Lobato, Beatriz Duval Leite, Bernadete Vogel Pinto, Betina Nilsson, Carolina Donay Scherer, Clara Figueira, Clara Koppe, Cléci A. Serpa, Delise Renck, Denise I. Haesbaert, Denise Wicchmann, Dora Giron, Duda Westphalen, Eda Lani, Eduardo Bidel, Eliane Abreu, Elisa Tessler, Emília Gontow, Eunice Amaral Lima, Fernanda Soares, Flora Zeltzer, Graça Craidy, Griseldes Vieira, Helena Mundt, Helena Nunes Lages, Helena Stainer, Heloisa Sonaglio, Inês Maria Pavlick, Izane Schul, Jaqueline Carvalho, Joyce Ramos, Julia Orguin da Silva, Juliana Gonzales, Karla Pires Ferreiro, Kika Hermann, Lia Knijnik, Lisi Wendel, Lúcia Guaspari, Mabel Fontana, Magda Pitas do Canto, Magpie Melleu, Márcia Baroni, Márcia Rosa, Maria Augusta Salim Gonçalves, Maria do Carmo Rodrigues Cabrera, Maria Martha Falcão, Marinelsa Geyer, Mary Marondi, Miriam Cazzetta, Miriane Steiner, Monica Sofia, Mylène D’Huyer, Myrian Cirne Lima, Neca Sparta, Neusa Cainelli Leite, Patrícia Schneider, Rachel Fontoura, Regina Helena Soares, Rosa Pacheco, Rosali Plentz, Rosamary Pessota Disconzi, Rosane Guerin, Rosane Moraes, Rose Osório, Ruth Johnson-Greco, Sandra Gonçalves, Sandra Kravetz, Simone Barros, Sol Inocente, Sol Machado, Soraya Girotto, Susie Prunes, Suzana Albano, Suzana Gonzalez Campozani, Teresa Girardello, Tereza Albano, Vera Behs, Vera Reichert, Zica Fortini, Zoravia Betiol e Zulaine Santos.

SERVIÇO

• O quê: Abertura da exposição OLARIA — Matéria, memória e território em camadas de cor e tempo (Celebrando os 80 anos de Lorena Steiner), integrada à Solenidade de Abertura do 4º Festival de Cinema de Canoas (FECIC)

• Artista: Lorena Steiner e 89 artistas convidados (Instalação coletiva O QUE NOS CONSTRÓI)

• Curadoria: Flávio Gil

• Produção: MILO Arte e Cultura

• Exposição: de 11 de novembro de 2026 a 6 de janeiro de 2027

• Horário: Solenidade de abertura das 18h às 19h (abertura da exposição às 18h30), com apresentação da Banda de Música da Base Aérea de Canoas (BACO) e coquetel

• Período do 4º FECIC: 11 a 15 de novembro de 2026

• Local: Casa dos Rosas (Museu Municipal Parque dos Rosa) – Rua Victor Barreto, 2180 – Centro, Canoas/RS

• Mais informações: www.lorenasteiner.com.br — Instagram: @steinerlorena

 

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